{"id":2479,"date":"2013-12-16T12:36:19","date_gmt":"2013-12-16T14:36:19","guid":{"rendered":"http:\/\/www.usp.br\/tusp\/?page_id=2479"},"modified":"2025-11-12T13:56:54","modified_gmt":"2025-11-12T16:56:54","slug":"2479-2","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/usp.br\/tusp\/2479-2\/","title":{"rendered":"Programa TUSP de Leituras P\u00fablicas. Ciclo X: Realidades Incendi\u00e1rias"},"content":{"rendered":"<p>Neste d\u00e9cimo ciclo das Leituras P\u00fablicas, \u00a0o TUSP d\u00e1 continuidade \u00e0s \u201cRealidades incendi\u00e1rias\u201d: textos que tratam da situa\u00e7\u00e3o-limite, que obriga personagens a tomadas de posi\u00e7\u00e3o radical. A resposta necess\u00e1ria surge da repress\u00e3o \u2013 ideol\u00f3gica, social, racial. A fa\u00edsca que nasce e gera a chama que incendeia a realidade e a transforma.\u00a0Em algumas pe\u00e7as, a ideia de inc\u00eandio \u00e9 literal \u2013 em outras, se apresenta de maneira simb\u00f3lica, interiorizada. Expl\u00edcita ou n\u00e3o, a ebuli\u00e7\u00e3o dos conflitos est\u00e1 presente ao longo de todo ciclo.<\/p>\n<p><strong>Textos do ciclo :<\/strong><\/p>\n<p><strong>A Garota Palestina (Filmando Magda) \u2013<\/strong>\u00a0Joshua Sobol (1985)<br \/>\nNo texto A garota Palestina (Filmando Magda) \u00e9 usada a metalinguagem envolvendo a vida de atores judeus e palestinos e seus personagens numa produ\u00e7\u00e3o de um filme para televis\u00e3o, onde Joshua Sobol aponta a pacifica\u00e7\u00e3o desses dois povos neste microcosmo art\u00edstico de aprendizagem da contracena\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>A Miss\u00e3o\u00a0\u2013<\/strong>\u00a0Heiner Muller (1979)<br \/>\nA pe\u00e7a apresenta tr\u00eas homens \u2013 um nobre, um campon\u00eas e um escravo \u2013 que pouco tempo ap\u00f3s a revolu\u00e7\u00e3o francesa, s\u00e3o enviados \u00e0 Jamaica como emiss\u00e1rios governamentais para liderar uma revolta de escravos. Esta miss\u00e3o \u00e9 um grande fracasso, como j\u00e1 indica o pr\u00f3logo, e mais adiante vemos que cada um destes tr\u00eas personagens \u00e9 uma brilhante alegoria para os ideais da revolu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>A Morte de Danton<\/strong>\u00a0\u2013 Georg B\u00fcchner (1835)<br \/>\nB\u00fcchner tinha 21 anos em 1835, quando escreveu <em>A Morte de Danton<\/em>, considerada hoje por parte da cr\u00edtica como o primeiro drama realista alem\u00e3o. Certa vez o autor escreveu: \u201cEstudei a hist\u00f3ria da Revolu\u00e7\u00e3o. Senti- me como que esmagado sob o horr\u00edvel fatalismo da hist\u00f3ria\u201d. B\u00fcchner situa a pe\u00e7a durante os \u00faltimos dias da exist\u00eancia do revolucion\u00e1rio Danton, condenado a guilhotina. A morte de Danton atraiu imediatamente a aten\u00e7\u00e3o pela inova\u00e7\u00e3o da forma e pelo questionamento de problemas que naquela \u00e9poca eram evitados.<\/p>\n<p><strong>Combate de Negro e C\u00e3es<\/strong>\u00a0\u2013 Bernard-Marie Kolt\u00e8s (1979)<br \/>\nO palco se transforma em um canteiro de obras numa floresta da \u00c1frica Ocidental, onde est\u00e3o os engenheiros brancos Cal e Horn, tentando conviver com a solid\u00e3o, at\u00e9 que o mais velho deles chama uma mulher, Leone, de Paris, para lhes fazer companhia. Surge ent\u00e3o Alboury, um homem negro que veio reclamar o corpo do seu irm\u00e3o supostamente morto num acidente, mas ningu\u00e9m parece querer entreg\u00e1-lo. Kolt\u00e8s, um dos dramaturgos modernos mais inovadores e dos mais singulares prop\u00f5e um laborat\u00f3rio de pesadelos e insatisfa\u00e7\u00f5es, onde a intriga est\u00e1 reduzida ao m\u00ednimo.<\/p>\n<p><strong>Fahrenheit 451\u00a0<\/strong>\u2013 Ray Bradbury (1978)<br \/>\nUm governo totalit\u00e1rio que pro\u00edbe qualquer livro ou tipo de leitura. Bombeiros que ao inv\u00e9s de apagar inc\u00eandios queimam livros em nome do dever. Tudo \u00e9 controlado e as pessoas s\u00f3 t\u00eam conhecimento dos fatos por aparelhos de TV. Na pe\u00e7a de Ray Bradbury, Guy Montag \u00e9 um bombeiro que acaba se envolvendo com Clarisse McLellan, uma apaixonada pela literatura, o que o leva a ler livros de forma clandestina, alterando sua perspectiva em rela\u00e7\u00e3o ao mundo que o cerca e suas regras.<\/p>\n<p><strong>Fuenteovejuna<\/strong>\u00a0\u2013 Lope de Vega (1618)<br \/>\nA pe\u00e7a do in\u00edcio do s\u00e9c. XVII aponta o per\u00edodo de Absolutismo do seu autor, mas tem igualmente a ver com qualquer \u00e9poca em que os alguns seres humanos continuem abusando do poder para tirar proveito dos mais fracos. A trama culmina num tiranic\u00eddio, e esse era o ponto final da hist\u00f3ria: quando \u00e9 v\u00edtima da opress\u00e3o, o povo tem o direito de reagir, inclusive com a morte do opressor.<\/p>\n<p><strong>Jogos na Hora da Sesta<\/strong>\u00a0\u2013 Roma Mahieu (1976)<br \/>\nUm grupo de crian\u00e7as brincam em uma pra\u00e7a, enquanto seus pais fazem a sesta. Atrav\u00e9s das brincadeiras, aparentemente inofensivas, elas refletem sobre o que lhes \u00e9 transmitido pelos pais que vivem sob um estado de exce\u00e7\u00e3o. A pe\u00e7a foi escrita pela polonesa Roma Mahieu, radicada na Argentina durante o per\u00edodo conhecido por Guerra Suja, com trinta mil oposicionistas desaparecidos entre 1973 e 1983.<\/p>\n<p><strong>Novas Diretrizes em Tempos de Paz<\/strong>\u00a0\u2013 Bosco Brasil (2001)<br \/>\nA a\u00e7\u00e3o se passa na sala de imigra\u00e7\u00e3o portu\u00e1ria do Rio de Janeiro na d\u00e9cada de 40. Um imigrante \u00e9 interrogado por um agente alfandeg\u00e1rio e ex-torturador da pol\u00edtica Vargas. Um grande embate ideol\u00f3gico que discute a condi\u00e7\u00e3o humana e os horrores do preconceito pol\u00edtico e racial, onde cada oponente procura buscar e negar suas diversas identidades.<\/p>\n<p><strong>O Balc\u00e3o<\/strong>\u00a0\u2013 Jean Genet (1956)<br \/>\nNa obra de Jean Genet, os clientes de um bordel vivenciam aventuras er\u00f3tico-fantasiosas onde experimentam serem outras pessoas como bispos, ju\u00edzes e outras figuras de diferentes camadas sociais. Durante uma revolu\u00e7\u00e3o o bordel \u2013 com seu jogo de apar\u00eancias e ilus\u00f5es \u2013 traz a tona todos os defeitos e limita\u00e7\u00f5es da sociedade que espelha.<\/p>\n<p><strong>Os Inimigos<\/strong>\u00a0\u2013 de M\u00e1ximo Gorki (1906)<br \/>\nEscrito logo ap\u00f3s a Revolu\u00e7\u00e3o de 1905, s\u00f3 foi encenada por Piscator na Berlim dos anos vinte. O cen\u00e1rio praticamente \u00e9 o mesmo de <em>O Jardim das Cerejeiras<\/em>, de Tchekhov. Skrobotov e Bardin possuem uma f\u00e1brica, onde um \u00e9 reacion\u00e1rio e o outro liberal. Os funcion\u00e1rios pedem pela demiss\u00e3o de um capataz brutal e odioso, e a apartir da\u00ed desenrola-se um conflito de classes e interesses sociais.<\/p>\n<p><strong>O Interrogat\u00f3rio<\/strong>\u00a0\u2013 de Peter Weiss (1965)<br \/>\nEm Frankfurt, durante v\u00e1rios meses de 1964 e 1965, ocorreu o processo que julgou os acusados do massacre em Auschwitz. Weiss, que acompanhou como observador an\u00f4nimo, escreve <em>O Interrogat\u00f3rio<\/em> em 1965, indo contra as cr\u00edticas e avisos de que se deveria esquecer aquela \u201cvergonha nacional\u201d. O autor pesquisou atas do processo e muitas vezes\u00a0aproveitou declara\u00e7\u00f5es quase ao p\u00e9 da letra, explorando dramaticamente os limites do documental.<\/p>\n<p><strong>Roberto Zucco<\/strong>\u00a0\u2013 de Bernard-Marie Kolt\u00e8s (1988)<br \/>\nNo centro da obra de Bernard Marie-Kolt\u00e9s est\u00e1 Roberto Succo, serial killer italiano que nos anos 80 matou seus pais, cometeu outros crimes e assassinatos, causou p\u00e2nico e admira\u00e7\u00e3o na Europa e foi considerado inimigo n\u00famero 1 na It\u00e1lia, Fran\u00e7a e Su\u00ed\u00e7a. Na pe\u00e7a, situa\u00e7\u00f5es reais e ficcionais se misturam, numa narrativa fragmentada e on\u00edrica, numa Europa desestruturada do fim do s\u00e9culo XX.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Neste d\u00e9cimo ciclo das Leituras P\u00fablicas, \u00a0o TUSP d\u00e1 continuidade \u00e0s \u201cRealidades incendi\u00e1rias\u201d: textos que tratam da situa\u00e7\u00e3o-limite, que obriga personagens a tomadas de posi\u00e7\u00e3o radical. 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