{"id":226,"date":"2009-11-30T13:07:00","date_gmt":"2009-11-30T13:07:00","guid":{"rendered":"http:\/\/oibe.com.br\/projetos\/wordpress\/?p=42"},"modified":"2026-05-06T12:39:58","modified_gmt":"2026-05-06T15:39:58","slug":"cindi-hip-hop","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/usp.br\/tusp\/cindi-hip-hop\/","title":{"rendered":"Cindi Hip Hop \u2013 Paloma Franca Amorim"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"http:\/\/2.bp.blogspot.com\/_8rGYhes7_Lc\/SxPEpOaISPI\/AAAAAAAAAHk\/I0qnSrce_AM\/s1600\/cindi.jpg\"><img decoding=\"async\" id=\"BLOGGER_PHOTO_ID_5409883789923469554\" style=\"display: block; margin: 0px auto 10px; width: 320px; cursor: hand; height: 217px; text-align: center;\" src=\"http:\/\/2.bp.blogspot.com\/_8rGYhes7_Lc\/SxPEpOaISPI\/AAAAAAAAAHk\/I0qnSrce_AM\/s320\/cindi.jpg\" alt=\"\" border=\"0\" \/><\/a><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"line-height: 150%; text-align: justify;\">A possibilidade da narrativa como elabora\u00e7\u00e3o do sujeito sobre si mesmo \u00e9 um dos caminhos apontados pela dramaturgia de Cl\u00e1udia Schapira em CINDI HIP HOP. O espet\u00e1culo \u00e9 fundamentado sob o ponto de vista de quatro jovens que t\u00eam sua trajet\u00f3ria definida por diversas situa\u00e7\u00f5es cotidianas nas quais opress\u00e3o e preconceito s\u00e3o os principais obst\u00e1culos a serem ultrapassados. Al\u00e9m disso, a necessidade de realiza\u00e7\u00e3o de desejos individuais relacionados quase que unicamente \u00e0 perspectiva de um futuro melhor tamb\u00e9m oferece ao espectador uma dimens\u00e3o dram\u00e1tica das quatro hist\u00f3rias nas quais a subjetividade surge como elemento preponderante e aquilo que lhe \u00e9 externo, as problem\u00e1ticas sociais, torna-se apenas um pano de fundo para o desenvolvimento pessoal de cada personagem.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"line-height: 150%; text-align: justify;\"><!--?xml:namespace prefix = o ?-->N\u00e3o fosse a valoriza\u00e7\u00e3o da narrativa enquanto forma de encena\u00e7\u00e3o e discurso emanado pela voz de cada personagem, o conceito do espet\u00e1culo poderia se encerrar em quest\u00f5es privadas envoltas por uma atmosfera de natureza p\u00fablica, entretanto, num primeiro momento, o que a utiliza\u00e7\u00e3o da palavra sugere \u00e9 um processo de autoconhecimento que deveria ser da posse de todos, independente da classe social a qual pertencem. Isto seria uma ode ao subjetivismo t\u00e3o caracter\u00edstico do panorama social no qual estamos inseridos ou um estabelecimento de fronteiras entre o \u00e2mbito privado e o \u00e2mbito p\u00fablico, de modo que aquele que sabe se contar sabe partilhar e, portanto, constr\u00f3i rela\u00e7\u00f5es de alteridade e identidade no mundo, tornando-se part\u00edcula singular de um tempo plural que diz respeito \u00e0 sociedade?<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"line-height: 150%; text-align: justify;\">\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"line-height: 150%; text-align: justify;\">Esta verifica\u00e7\u00e3o e vivifica\u00e7\u00e3o da palavra se d\u00e1 numa arquitetura de jogo, na qual o teatro e a realidade se transpassam e se transformam ao longo do espet\u00e1culo, formando um espa\u00e7o de conta\u00e7\u00e3o c\u00eanica e estrutura\u00e7\u00e3o c\u00eanica, ora os atores s\u00e3o as personagens das curtas tramas, ora s\u00e3o aqueles que articulam a cena, como observadores ativos, numa a\u00e7\u00e3o que est\u00e1 para al\u00e9m do foco principal da encena\u00e7\u00e3o; participam constituindo o todo da cena, articulando os movimentos sonoros e criando uma ponte de intera\u00e7\u00e3o entre personagens, atores-jogadores e p\u00fablico. Este espa\u00e7o l\u00fadico de a\u00e7\u00e3o afastada traz \u00e0 tona a voz dos atores como sujeitos ativos da situa\u00e7\u00e3o, que cont\u00eam a reverbera\u00e7\u00e3o real daquilo que est\u00e1 sendo dito ao p\u00fablico. Em tempo, as hist\u00f3rias apresentadas s\u00e3o todas baseadas em fatos verdadeiros que ocorreram com os participantes do processo.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"line-height: 150%; text-align: justify;\">Em todas as cenas existe a personagem contraponto, ou seja, a figura que tacitamente se op\u00f5e \u00e0s escolhas e desejos dos quatro jovens, entretanto, dentro do que \u00e9 apresentado, o contraponto n\u00e3o manifesta argumentos realmente palp\u00e1veis para bloquear a a\u00e7\u00e3o protag\u00f4nica, acabamos por encontrar em cena vil\u00f5es melodram\u00e1ticos que funcionam, partindo de um vi\u00e9s socialmente repressivos, apenas para anular as vontades pessoais dos protagonistas, o discurso em conseq\u00fc\u00eancia aporta num estado de manique\u00edsmo no qual cada personagem se torna um her\u00f3i cuja fala est\u00e1 sempre calcada em certezas de bondade pura e sucesso particular, isto traz a pot\u00eancia da narratividade muitas vezes para um lugar esvaziado, em que o autoconhecimento proposto anteriormente revela-se ensimesmado e desprovido de ecos coletivos. Neste ponto fica a quest\u00e3o a ser pensada: quem evidencia as camadas das figuras protagonistas? Eles mesmos com suas necessidades privadas e o tom da narratividade ou contrapontos que hipoteticamente descortinassem a implica\u00e7\u00e3o p\u00fablica destas necessidades? \u00c9 interessante pensar que perspectivas uma personagem pode assumir diante de um conflito para que haja complexifica\u00e7\u00e3o da tem\u00e1tica proposta, suscitando desta forma uma fagulha a mais no p\u00fablico, a qualidade cr\u00edtica da interlocu\u00e7\u00e3o que n\u00e3o precisa estar associada unicamente \u00e0 experi\u00eancia plena e pessoalizada dos fatos desenvolvidos em cena.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"line-height: 150%; text-align: justify;\">O espet\u00e1culo CIND HIP HOP est\u00e1 na linha t\u00eanue entre um processo de constru\u00e7\u00e3o emp\u00e1tica do p\u00fablico para com as personagens que, potencializado pelo interm\u00e9dio das dan\u00e7as e can\u00e7\u00f5es,tateia diretamente campos da identifica\u00e7\u00e3o subjetiva, e o deflagrar de situa\u00e7\u00f5es nas quais a opress\u00e3o \u00e9 resultado de v\u00e1rios vetores relacionados \u00e0 fam\u00edlia, \u00e0 moral, ao trabalho, dentre outros significantes sociais.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"line-height: 150%; text-align: justify;\">\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"line-height: 150%; text-align: justify;\">Paloma Franca<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A possibilidade da narrativa como elabora\u00e7\u00e3o do sujeito sobre si mesmo \u00e9 um dos caminhos apontados pela dramaturgia de Cl\u00e1udia Schapira em CINDI HIP HOP. 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