{"id":232,"date":"2009-12-21T13:45:00","date_gmt":"2009-12-21T13:45:00","guid":{"rendered":"http:\/\/oibe.com.br\/projetos\/wordpress\/?p=48"},"modified":"2026-05-06T12:39:11","modified_gmt":"2026-05-06T15:39:11","slug":"e-agora-nora","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/usp.br\/tusp\/e-agora-nora\/","title":{"rendered":"&#8220;E agora, Nora?&#8221; &#8211; Ren\u00e9 Piazentin"},"content":{"rendered":"<p><em style=\"font-size: 16px;\">E agora: Nora.<\/em><\/p>\n<div>\n<div align=\"justify\">Depois de <em>Casa de Bonecas<\/em>, Ibsen foi considerado feminista por muitos. Amenizando a afirma\u00e7\u00e3o, digamos que tenha sido lido como feminista, ao menos nesta obra. Atravessar a porta de casa em dire\u00e7\u00e3o ao \u201cmundo l\u00e1 fora\u201d, para Nora, foi algo incr\u00edvel, um caminhar de Neil Armstrong, um pequeno passo para uma mulher,mas um salto para a humanidade&#8230; E talvez a sensa\u00e7\u00e3o de Nora fora de casa pela primeira vez, ao ouvir a porta que se fecha atr\u00e1s de si, tenha sentido-se exatamente com o primeiro homem a andar sobre a Lua \u2013 aquele pequeno passo para al\u00e9m da porta j\u00e1 se configura como uma dist\u00e2ncia imponder\u00e1vel em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 casa. A d<a href=\"http:\/\/3.bp.blogspot.com\/_8rGYhes7_Lc\/Sy-JiahwTbI\/AAAAAAAAAI0\/3bunXVlVgQo\/s1600-h\/nora+2.jpg\"><img decoding=\"async\" id=\"BLOGGER_PHOTO_ID_5417700101079453106\" style=\"float: right; margin: 0px 0px 10px 10px; width: 213px; cursor: hand; height: 320px;\" src=\"http:\/\/3.bp.blogspot.com\/_8rGYhes7_Lc\/Sy-JiahwTbI\/AAAAAAAAAI0\/3bunXVlVgQo\/s320\/nora+2.jpg\" alt=\"\" border=\"0\" \/><\/a>iferen\u00e7a \u00e9 que o astronauta deseja voltar. Nora, deseja encontrar um outro caminho.<\/div>\n<div align=\"justify\">Entretanto, nas entrelinhas de <em>Casa de Bonecas<\/em> e da trajet\u00f3ria do pr\u00f3prio Ibsen como dramaturgo, poder\u00edamos dizer com mais justi\u00e7a que antes de um libelo em favor da mulher, o que Ibsen escreveu foi uma pe\u00e7a em favor da emancipa\u00e7\u00e3o do ser humano, seja ele homem ou mulher. A escolha pela representa\u00e7\u00e3o da opress\u00e3o sofrida pela mulher me parece antes um meio que um fim \u2013 o feminismo ou uma poss\u00edvel leitura feminista est\u00e1 contida na problem\u00e1tica maior, que engloba v\u00e1rias inst\u00e2ncias da vida social.<\/div>\n<div align=\"justify\"><em>E Agora Nora<\/em> tem em <em>Casa de Bonecas <\/em>um ponto de partida. A figura emblem\u00e1tica de Nora ganha status de arqu\u00e9tipo contempor\u00e2neo, justamente por isso, arqu\u00e9tipo mut\u00e1vel: vai da sedu\u00e7\u00e3o da stripper e da prostituta (universo da erotiza\u00e7\u00e3o \u201cacess\u00edvel\u201d), ideia da mulher como objeto sexual \u201cdispon\u00edvel\u201d, at\u00e9 a sedu\u00e7\u00e3o da modelo, onde a erotiza\u00e7\u00e3o da passarela \u00e9 o da idealiza\u00e7\u00e3o (o \u201cinacess\u00edvel\u201d da perfei\u00e7\u00e3o). Entre os dois extremos da sedu\u00e7\u00e3o, vemos a dona de casa, a adolescente, a mulher masculinizada e outras tantas imagens em um caleidosc\u00f3pio de situa\u00e7\u00f5es e personas sugeridas.<\/div>\n<div align=\"justify\">Mas a mulher n\u00e3o \u00e9 apenas sedu\u00e7\u00e3o. Esta talvez seja a grande qualidade do espet\u00e1culo, pois aceita a tarefa ingl\u00f3ria de passar pelos clich\u00eas do feminismo (e do \u201cfeminino\u201d) para um questionamento em v\u00e1rios \u00e2ngulos \u2013 especialmente o de dentro. Interessante perceber que n\u00e3o \u00e9 apenas o olhar da sociedade (machista) que gera estes clich\u00eas: a pr\u00f3pria mulher \u00e9 mostrada como criadora potencial de clich\u00eas sobre si mesma e sobre a sua condi\u00e7\u00e3o.<\/div>\n<div align=\"justify\">As tr\u00eas atrizes brincam com facetas poss\u00edveis deste feminino em graus diversos de explora\u00e7\u00e3o do componente da sedu\u00e7\u00e3o. Mas justamente o momento em que revelam mais sua intimidade, numa semi-nudez, o corpo se despe (literal e metaforicamente) do elemento da sedu\u00e7\u00e3o e torna-se apenas aus\u00eancia de m\u00e1scaras, melhor dizendo de r\u00f3tulos.<\/div>\n<div align=\"justify\">A pergunta que d\u00e1 t\u00edtulo ao espet\u00e1culo poderia ser dirigida a qualquer mulher: depois de abandonar Helmer, depois de \u201cqueimar o suti\u00e3\u201d, de soltar o espartilho e troc\u00e1-lo por cal\u00e7as compridas, como reconstruir uma id\u00e9ia de feminino onde a delicadeza e a fragilidade n\u00e3o se confundam com submiss\u00e3o e fraqueza?<\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<div align=\"justify\"><a href=\"http:\/\/2.bp.blogspot.com\/_8rGYhes7_Lc\/Sy-I-J1EuUI\/AAAAAAAAAIs\/4OYpuCAd4ok\/s1600-h\/nora.bmp\"><img decoding=\"async\" id=\"BLOGGER_PHOTO_ID_5417699478121789762\" style=\"float: left; margin: 0px 10px 10px 0px; width: 202px; cursor: hand; height: 140px;\" src=\"http:\/\/2.bp.blogspot.com\/_8rGYhes7_Lc\/Sy-I-J1EuUI\/AAAAAAAAAIs\/4OYpuCAd4ok\/s200\/nora.bmp\" alt=\"\" border=\"0\" \/><\/a>Assim como a figura feminina sofre essas metamorfoses em cena, a estrutura do espet\u00e1culo tamb\u00e9m prop\u00f5e transforma\u00e7\u00f5es. H\u00e1 momentos onde a linguagem apoia-se na t\u00e9cnica corporal ( a exemplo da boneca Barbie fisicalizada em \u201clinha de produ\u00e7\u00e3o\u201d pelas atrizes); outros em que o tom de depoimento explicita a discuss\u00e3o a partir de um discurso articulado (feminista?); outros ainda onde as imagens nos conduzem \u00e0 reflex\u00e3o. A pe\u00e7a tem a grande qualidade de transitar na linha t\u00eanue do clich\u00ea, apropriar-se criticamente deles e brincar com isso. Mergulha nos estere\u00f3tipos para discutir esse novo arqu\u00e9tipo feminino e nos ilumina a conclus\u00e3o necess\u00e1ria: homens ou mulheres, como viver em plenitude e respeito a alteridade?<\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<div align=\"justify\">por <em><strong>Ren\u00e9 Piazentin.<br \/>\n<\/strong><\/em><\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>E agora: Nora. Depois de Casa de Bonecas, Ibsen foi considerado feminista por muitos. 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